Temos aqui cinco princípios do Kinomichi a serem explorados e relacionados entre si. O desenvolvimento deles é o objetivo geral do Kinomichi. Ele foi criado em Paris em 1979 pelo próprio mestre Noro e vem aos poucos se difundindo pelo mundo. A prática do Kinomichi se divide em seis niveis, denominados "iniciações".
Terra-céu - a direção da energia
Aqui afinamos a consciência do nosso corpo e das nossas tensões musculares e articulares para deixar circular a força. Sensibilizando, experimentando e brincando com a força da gravidade, nos tornamos mais íntimos do nosso próprio peso.Vamos através dos apoios com o solo nos aprofundando na relação terra-céu ; a energia passa dos pés até as mãos e dos pés até a cabeça (reflexos anti-gravitários, dos quais nós somos fisiologicamente bem equipados. A união dessas duas forças gera movimento.
Contato com o outro(s) - organização coletiva da energia
O contato a dois ou em grupo cria uma relação entre os parceiros onde a harmonia e a força permitem criar espirais, espaços e ritmos diferentes, sem que haja submissão nem dominação.Ambos os lados são ativos e dividem o prazer de comunicar com seus corpos em movimento. O contato é, de um lado, uma escuta do parceiro e de outro lado um "olho sobre nós mesmos". Cada um deve estar atento á sua própria organização e ao que percebe do outro.
Nos seis movimentos de base realizamos o contato através das mãos compreendendo a totalidade do corpo e a unidade no movimento dos parceiros. Não existe ataque, defesa, concorrência ; no contato buscamos a expressão da unidade de ambos os participantes. No contato, pedimos não forçar, não se crispar, ficar aberto, o que em eutonia chamamos consciência do espaço interior.
Desbloquear o corpo - organização individual da energia
Perceber as tensões musculares e articulares. Ter consciência dos próprios bloqueios e trabalhá-los com paciência e abertura. Aqui pensamos nas cordas de um violão que produzem um bom som quando bem afinado ; as cordas não podem estar frouxas nem muito esticadas.O corpo está bloqueado quando no movimento a espiral e a força não conseguem passar livremente dos pés até as mãos e dos pés até a cabeça - trajeto natural da energia terra-céu. Respeitando a morfologia de cada um, podemos perceber nossos bloqueios através do contato e trabalhá-los. Desbloquear o corpo permite o encontro de uma boa tensão muscular e de uma qualidade elástica para nossos movimentos. O processo de busca é tão importante quanto o resultado.
Alongamento- a qualidade na passagem da energia
Um alongamento resulta de uma parte do corpo que se expande, empurra, e outra que vai em direção a um objetivo. Entre os dois o corpo se organiza. É aqui que as noções de unidade, de cadeia muscular e de morfologia intervém. Os exercícios de alongamento praticados no chão (deitado, sentado ou de joelho) na primeira iniciação, se aproximam do trabalho da doutora Ehrenfried, Gerda Alexander e Moshe Feldenkrais.Nessa iniciação do Kinomichi os exercícios de alongamento são igualmente propostos em pé e a dois, num trabalho chamado contato (já citado acima), e na técnica dos seis movimentos de base (três movimentos de céu e três movimentos de terra) onde as cadeias musculares se enrolam para dentro e se desenrolam para fora. No trabalho a dois ambos se ajudam, juntos se constróem mesmo se têm experiências diferentes.
É também importante a atenção que damos á percepção de nossas próprias sensações e sobretudo sua duração.
Abertura, suavidade, escuta, paciência, apoios, soltura, respiração livre devem estar presentes quando alongamos. O alongamento une espirais e expansão ; nunca pensamos em inspirar.
Não dirigimos nossa respiração, apenas tomamos consciência do quanto precisamos "soltar", "deixar sair o ar", "sorrir". O alongamento está associado á energia terra-céu e a unidade do corpo em movimento. O que o Kinomichi traz para o alongamento é a busca da unidade corporal e a ligação terra-céu em espirais.






